O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia finalmente foi celebrado, a despeito da resistência de alguns países europeus, e só depende de detalhes formais – como a ratificação pelos legislativos das nações envolvidas – para ter plena vigência. Para a Zona Franca de Manaus, o pacto internacional pode abrir portas para grandes oportunidades, mas também oferece riscos que não podem ser ignorados. É esta a avaliação de instituições como Fieam e Cieam, além da maioria dos especialistas.
O texto aprovado prevê eliminação gradual de tarifas de importação para produtos como máquinas, equipamentos e componentes industriais europeus e exportação de itens diversos do Brasil, com destaque para produtos do agronegócio e minerais.
Porém, a importação de insumos mais baratos pode comprometer a indústria local de componentes. E mais que isso: a queda das tarifas para manufaturados europeus pode, até mesmo, anular o diferencial tributário da Zona Franca, impactando severamente o modelo. Para que isso não ocorra, lideranças políticas e empresariais do Amazonas devem propor salvaguardas, deixar as diferenças ideológicas de e acompanhar de perto a implementação de cada etapa do acordo, assegurando que a Zona Franca não seja prejudicada. E diga-se: o risco é considerável.
É preciso reconhecer que o acordo também pode facilitar a cooperação tecnológica e o adensamento das cadeias produtivas, permitindo que as indústrias de Manaus acessem inovações europeias mais modernas. Como destacou o presidente da Fieam, Antônio Silva, a ZFM pode ter uma oportunidade ímpar de salto tecnológico. Há tambem a possibilidade de abertura de novos mercados para certos produtos da Zona Franca na Europa, o que poderia impulsionar setores como os de alimentos, fármacos e fitoterápicos, eternos potenciais do modelo amazonense.
O fato é que o acordo é uma realidade e tem tudo para ser positivo para o Brasil. Se será vantajoso para Manaus, isso depende da força de argumentação de nossos representantes na negociação, o que não inspira muita confiança.
*Fonte: A Crítica
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