Manaus zera casos de hepatite A no primeiro semestre de 2025

 
Manaus zera casos de hepatite A no primeiro semestre de 2025

19/08/2025



Pela primeira vez em anos, Manaus registra uma queda expressiva nos casos de hepatites virais, em um momento que coincide com a expansão da rede de esgotamento sanitário. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) mostram que, entre janeiro e junho de 2025, a capital teve 112 casos confirmados das doenças, contra 235 no mesmo período de 2024 — uma redução de 52%.

 

O relatório indica 73 casos de hepatite B, 36 de hepatite C e 3 de hepatite D, sem registro de hepatite A neste ano. No mesmo intervalo de 2024, haviam sido 125 casos de hepatite B, 96 de hepatite C, 11 de hepatite D e 3 de hepatite A.

 

Essa queda reforça uma tendência já observada nos últimos anos. Entre 2018 e 2024 os casos de hepatite A caíram 88% na cidade, acompanhando o avanço gradual da cobertura de esgotamento sanitário e do fornecimento de água tratada. Essa trajetória histórica sugere que, à medida que mais residências se conectam à rede, a exposição a água e alimentos contaminados diminui.

 

Segundo especialistas, o saneamento é um dos principais fatores capazes de reduzir doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, incluindo a hepatite A. Eles apontam que a ampliação do acesso ao saneamento básico reduz a presença de coliformes fecais no solo e nos igarapés, quebrando a cadeia de transmissão do vírus e refletindo diretamente na queda de casos.

 

AVANÇOS NO SANEAMENTO


Atualmente, cerca de 35% da população de Manaus tem a disponibilidade de rede de coleta de esgoto — um crescimento em relação aos 18% de sete anos atrás. A meta da Prefeitura e da concessionária Águas de Manaus é passar de 40% até o fim de 2025.

 

A expansão da cobertura também tem refletido em outros indicadores que têm relação direta com o esgoto. Em janeiro de 2025, os casos de diarreia caíram 46% em comparação ao mesmo mês de 2024, e a dengue teve redução de 73% no primeiro semestre (712 casos contra 2.325 no mesmo período do ano passado). Os dados são da FVS.

 

Especialistas explicam a ligação

 

Rosana Nobre da Silva, engenheira ambiental e sanitarista, afirma que o efeito do saneamento sobre a melhoria da qualidade de vida e redução do ciclo de doenças, é direto:

 

“Sobre saúde e qualidade de vida, de forma geral, quando um morador decide ligar sua residência à rede de esgoto, ele evita que o solo de seu terreno seja contaminado por resíduos de fossas. Essa prática é comum em grandes cidades e, em muitas localidades do interior, é a única medida adotada.

 

Ao avaliar os desafios do saneamento básico, a engenheira ambiental e sanitarista Rosana Nobre da Silva destaca que a expansão das redes coletoras precisa estar acompanhada de políticas que garantam a adesão da população. Para ela, essa integração é um passo estratégico para preparar as cidades para futuros investimentos em tratamento de esgoto e proteção dos recursos hídricos.

 

“Considerando o crescimento populacional e a necessidade de reduzir a contaminação de rios e lagos, é fundamental que os moradores estejam conectados à rede coletora sempre que ela passar pela região — Se houvesse uma obrigatoriedade para que todos os imóveis localizados em áreas atendidas pela rede coletora estivessem conectados, seria possível minimizar significativamente as concentrações de contaminantes no solo e melhorar a qualidade ambiental dessas regiões. Assim, quando houver um projeto de saneamento, grande parte das destinações já estará interligada ao sistema”, sugere.

 

Meta

 

A meta da concessionária Águas de Manaus, de atingir 90% de cobertura até 2033, é considerada um marco para a cidade, mas especialistas alertam que, sem adesão das famílias à ligação domiciliar, o impacto pode ser limitado.

 

Eficiência no sistema

 

Para a bióloga Lieda Kellen, quando há um sistema eficiente de saneamento, o contato da população com agentes infecciosos é drasticamente reduzido, o que se reflete na diminuição de casos de doenças relacionadas à água contaminada.

 

“Com um sistema adequado de coleta e tratamento, o contato direto ou indireto com esses agentes infecciosos é minimizado. Por isso, temos observado a diminuição dessas doenças diretamente relacionada ao cuidado e ao tratamento do esgoto. O saneamento interrompe o chamado ciclo fecal-oral, que é a principal via de transmissão de muitas doenças”, aponta Lieda Kellen.

 

Ela reforça que investir em saneamento básico não é apenas uma medida de saúde preventiva, mas também uma forma de economia para os cofres públicos, já que o custo de prevenção é muito menor que o tratamento de doenças que poderiam ser evitadas.

 

“A rede de esgoto com tratamento correto impede que os agentes patogênicos retornem ao ambiente e entrem novamente em contato com os seres humanos. Além disso, o investimento em saneamento é mais barato do que o custo de tratar doenças evitáveis. E é positivo ver que esse avanço no saneamento está acontecendo, pois essa é uma das medidas mais eficazes e sustentáveis para prevenir hepatites, diarreias, infecções intestinais e garantir saúde e qualidade de vida para a população”, aponta a especialista.

 

“Quando falamos em saneamento, falamos em melhoria da qualidade de vida e da saúde. Os dados oficiais estão aí para comprovar que Manaus evolui com a expansão do saneamento, do sistema de esgotamento sanitário. Projetamos a universalização do esgoto para daqui menos de 10 anos. Teremos mais reduções de casos de doenças de veiculação hídrica e mais qualidade de vida tanto para a população quanto para o meio ambiente.”

 

*Fonte: Acrítica

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