
Foto: Daniel Fernandes
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) participou do Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas, realizado sob o tema “Tecendo consensos, refazendo caminhos: vozes indígenas na construção da educação com o Estado”. O evento reuniu, nesta sexta-feira (30/1), lideranças indígenas, educadores, acadêmicos e representantes institucionais em um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva voltado ao fortalecimento da educação escolar indígena no estado.
A iniciativa reafirma o compromisso institucional com a promoção de uma educação intercultural, específica e diferenciada, fundamentada no respeito às identidades, línguas, saberes tradicionais e às realidades territoriais dos povos indígenas. O encontro também se insere no conjunto de ações voltadas à consolidação de políticas públicas que garantam não apenas o acesso, mas a permanência e o desenvolvimento acadêmico de estudantes indígenas no ensino superior.
Presente no evento, a vice-reitora da UEA, Prof.ª Dra. Katia Couceiro, destacou que a política institucional indígena da universidade é fruto de um processo coletivo, construído a partir do diálogo com o movimento indígena e do reconhecimento de suas lutas históricas.
“Essa política não nasce de forma isolada. Ela é resultado de um processo de escuta, de diálogo e do reconhecimento das lutas e conquistas dos povos indígenas. Mesmo que ainda sejam desafios em construção, essas conquistas foram suficientes para que a universidade colocasse essa política em ação. A UEA tem esse compromisso institucional”, afirmou.
Outro destaque do encontro foi a atuação do Comitê Gestor de Políticas Indigenistas da UEA, instância vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex), responsável por propor, acompanhar e fortalecer as ações voltadas às políticas indígenas no âmbito da universidade. A presença da coordenadora Prof.ª Ma. Rarima Coelho da Coordenação de Assuntos Comunitários (CAC/Proex) reforçou o papel estratégico da extensão universitária como elo entre a universidade, o movimento indígena e o Estado.
De acordo com a Prof.ª Dra. Jeiviane Justiniano, da Escola Normal Superior (ENS/UEA), coordenadora do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, e do Comitê Gestor de Políticas Indigenistas da universidade, a formação de professores indígenas é construída em parceria direta com o movimento indígena.
“A UEA trabalha em parceria com o movimento indígena, buscando atender às demandas de formação de professores indígenas a partir da oferta do curso de Pedagogia Intercultural e da Licenciatura Intercultural Indígena. Ainda temos muitos desafios, mas seguimos buscando compreender as necessidades dessa formação para contribuir com a oferta de uma educação diferenciada e intercultural” , destacou.
Representando a voz indígena no espaço institucional, o acadêmico Erimar Miquiles, da etnia Sateré-Mawé, estudante do curso de Direito da UEA e integrante do Comitê Gestor de Políticas Indigenistas, ressaltou que a construção das políticas indígenas na universidade é resultado de uma trajetória histórica de reivindicações.
“A partir da política de cotas, os povos indígenas compreenderam que não bastava apenas garantir o acesso à universidade. Era necessário construir políticas afirmativas que assegurassem a permanência dos acadêmicos. O Comitê Gestor surge justamente como esse espaço de diálogo, proposição e acompanhamento, funcionando como uma ponte entre os povos indígenas e a gestão institucional”, afirmou.
Ao reunir diferentes vozes e experiências, o Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas consolida-se como um espaço estratégico de construção coletiva, reafirmando o papel da UEA, por meio da Proex, como instituição pública comprometida com a valorização da diversidade cultural, o fortalecimento dos direitos dos povos indígenas e a promoção de uma educação intercultural no Amazonas.
*Fonte: UEA
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