Após a indústria bater recorde de empregos formais em julho de 2025, foi a vez dos setores de comércio e serviços alcançarem o mesmo feito, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM).
A entidade informou que os dois setores empregavam 396.494 pessoas até novembro de 2025, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados no início desta semana. O número representa um crescimento de 3% em relação a novembro de 2024, quando o total era de 384.700 trabalhadores.
Segundo a Fecomércio-AM, comércio e serviços representam, juntos, 68,6% dos empregos com carteira assinada no Amazonas. Para o diretor-presidente da entidade, Aderson Frota, o resultado configura um novo recorde e mantém a trajetória de crescimento contínuo registrada nos meses anteriores.
“Isso tudo é expressivo, porque o comércio estava um pouco travado por questões de juros, de negatividade do consumidor. Superamos isso e hoje temos o orgulho de dizer que nós somos, dentro do contexto da economia, o segmento de maior empregabilidade do estado do Amazonas”, afirmou.
De acordo com Frota, parte significativa das novas contratações ocorreu em função de datas comerciais como a Black Friday, em novembro, e o Natal, em dezembro. Segundo ele, o empresariado demonstrou otimismo ao avaliar o desempenho do setor ao longo de 2025.
“Em novembro do ano passado, nós tivemos a Black Friday. Depois da Black Friday, a gente sempre faz uma pesquisa avaliativa para poder saber se houve crescimento. Falamos com os empresários que estão ligados ao setor para saber o que houve de crescimento, se não houve, a gente mapeia tudo, e a maioria dos empresários que eu conversei, todos falaram com muito otimismo. Melhorou muito”, disse.
O resultado positivo de novembro, segundo o presidente da Fecomércio-AM, levou empresários a contratarem novos trabalhadores para o mês de dezembro, impulsionados pelas vendas de Natal. A estatística oficial desse período, no entanto, ainda será divulgada pelo Caged.
Ao comentar os efeitos da taxa básica de juros, mantida em 15% ao longo de boa parte de 2025, Aderson Frota afirmou que o principal problema não é a Selic em si, mas os juros praticados pelos bancos, que somam a taxa básica à inadimplência e aos custos operacionais.
“Nos primeiros impactos da taxa Selic, nós inclusive observamos em algumas recomendações a empresários em relação à sua clientela que chamasse a atenção para eles não deixarem de pagar nenhuma parcela do cartão de crédito, porque ela estava quase beirando os 30%. Ninguém consegue absorver uma taxa de juros de mora tão alta, então a gente sempre recomendava cuidado”, afirmou.
Sobre as perspectivas para o primeiro semestre de 2026, o presidente da Fecomércio-AM disse que o otimismo permanece, mas apontou fatores que podem reduzir o ritmo de crescimento, como o ano eleitoral, a realização da Copa do Mundo e o grande número de feriados prolongados.
“Terceira coisa que é muito importante: 2026 será um ano que vai ter o maior número de feriados nos finais e começo de semana. Isso tem um lado bom, que vai incrementar o turismo. Por exemplo, eu tenho um feriado na sexta-feira, quinta-feira eu viajo e só volto na terça. Vai incrementar o setor de turismo, mas o comércio perde um pouco de desempenho”, explicou.
Segundo maior empregador do Amazonas, o setor industrial tinha 144.900 trabalhadores até novembro de 2025, quase todos inseridos no Polo Industrial de Manaus (PIM). De acordo com a Suframa, a média mensal de mão de obra do PIM em 2025, até novembro, foi de 131.444 trabalhadores diretos, entre efetivos, temporários e terceirizados. O número representa crescimento de 6,42% em relação à média do mesmo período de 2024, que era de 123.518 trabalhadores. Em novembro, o PIM registrou 128.222 empregos diretos.
“Hoje temos o orgulho de dizer que nós somos, dentro do contexto da economia, o segmento de maior empregabilidade do estado do Amazonas”, concluiu Aderson Frota.
*Fonte: A Critica
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